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Emagreça com a Camellia Sinensis

Camellia SinensisApesar de difundida no japão, a Camellia Sinensis é originária do Sudoeste Asiático, China e Índia. Atualmente, a Camellia Sinensis tem ganhado um espaço importante na rotina alimentar brasileira por dois motivos: divulgação da mídia (artistas de televisão afirmando que usam o mesmo para emagrecer em matérias de revistas) e atenção dos pesquisadores (pois a medicina oriental por vezes, acaba descobrindo coisas que só mais tarde a medicina ocidental consegue entender). Bom, mas até agora você provavelmente está certo de que nunca ouviu falar da camellia sinensis ou que menos ainda, a tenha ingerido alguma vez.

Mas provavelmente você está equivocado.

A camellia nada mais é do que o nosso famoso chá verde, chá preto, chá branco, ou chá vermelho. O que diferencia um do outro é o grau de fermentação que o chá sofre no final do processo de preparo. O fermentado é o chá preto. O não fermentado é o chá verde. E os demais são os semifermentados. Por ano, são produzidos cerca de três bilhões de toneladas do chá, sendo que 78% preto, 20% verde e 2% semifermentado (LIMA et al, 2009).

De acordo com Hassani et al (2008) podemos encontrar xantinas (cafeína e teofilina- sendo essa muitas vezes superior em concentração à do café) flavonóides e catequinas (epigalocatequina, a ECG, epicatequina, a EC, epicatequina galata, a EG e epigalocatequina galata, a ECGC) vitaminas (vitamina C, vitaminas do complexo B) e sais minerais.

E são esses princípios ativos que conferem à planta seu poder no emagrecimento e em outros aspectos medicinais.

CAMELLIA SINENSIS E METABOLISMO DA GORDURA

Não bastasse sua atividade antibacteriana ( HASSANI et al, 2008), anticancerígena (BERTOLINI et al, 2000), hipocolesterolêmica – redução do colesterol (KAO, HIIPAKKA, LIAO, 2009; MURAMATSU K; FUKUYU M; HARA Y, 1986) e redução de risco de doenças coronárias (KOO e NOH, 2007) e até a reprogramação de células cancerígenas (AHMAD et al, 1997) que certamente merecia um outro artigo tratando a respeito somente de suas propriedades funcionais, a camellia sinensis possui uma interessante aplicabilidade em tratamentos de sobrepeso, o que já a faz,certamente, estar presente em minhas prescrições como auxiliar no tratamento da obsesidade.

Em um estudo realizado por Duloo et al (1999) a ingestão de camellia sinensis na forma de extrato de chá verde em cápsula (aproximadamente 500mg/dia) foi demonstrado que a ingestão das cápsulas aumentava a termogênse ou seja, o gasto energético em repouso (produção de calor) e oxidação lipídica.

Torna-se imperativo citar que nesse estudo o autor ainda utilizou grupos ingerindo somente cafeína ou placebo e isso confere ao mesmo uma importância diferente dos demais, pois acreditava-se que o poder que o chá verde exercia perante a termogênese era simplesmente consequência da cafeína que este portava consigo e, a grande maioria dos pesquisadores já sabe o efeito da cafeína na taxa metabolica basal através do estímulo do sistema nervoso central e consequente alteração da frequencia cardíaca.

Mas o interessante é que, mesmo comparado com o grupo que ingeria cafeína com o chá verde, os sujeitos com ingestão apenas de chá verde tiveram aumento do gasto calórico e oxidação lipídica acentuada.

Não bastasse sua contribuição para com as calorias que já foram absorvidas (transformando-as em energia mais rapidamente, conforme eu citei no estudo acima) a Camellia ainda pode alterar o potencial que temos em absorver gordura a nível intestinal.

Em um incrível estudo na coréa por Koo S. I e Noh S.K. (2007), foi verificado que as catequinas nesse artigo anteriormente citadas a ECGC possui a habilidade de interferir nos principais processos que acarretam na absorção da gordura ingerida na alimentação pelo intestino delgado. Esses processos são: emulsificação, digestão e solubilização das miscelas. Não está ainda claramente elucidado o mecanismo bioquímico, porém os autores sugerem que as catequinas formem complexos com os lipídios e com as enzimas que degradam os lipídios, inativando o efeito que as mesmas teriam na promoção da absorção da gordura para o meio interno. A ECGC parece ser mais efetiva ainda em lipídeos fortemente hidrofóbicos (como o colesterol) dessa forma sendo coadjuvante no tratamento de pacientes propensos à hipercolesterolemia.

Para fechar este artigo, um estudo mais recente publicado pelo periódico Nutrition and Metabolism em maio deste ano (2009), Sohlet al (2009) analisaram a eficácia da camellia (em forma comercial de chá branco) no que diz respeito à sua ajuda para o processo de queima de gordura corporal (lipólise) e ainda sua implicância na prevenção de acúmulo de gordura corporal.

Através de uma metodologia moderna de cultura e incubação de células (pré-adipócitos) retiradas de humanos, que seriam convertidas em células gordurosas naturalmente, Sohle et al (2009) demonstraram que o extrato de chá branco reduziu em 70% o acúmulo de triglicerideos, aumentou os níveis de liberação de glicerol ( o que indica que há aumento de lipólise – quebra de tecido adiposo) ainda reduziu os níveis de fatores de transcrição adipogênica (ATF – Adipogenic Transcription Factor) componente essencial na formação de gordura corporal, indicando o chá branco como potente recurso natural auxiliar na prevenção e tratamente da obesidade e hipertrigliceridemia.

Essencial, porém humilde em vista dos estudos aqui citados, fica o meu parecer profissional a respeito desta planta que, quanto mais estudos são feitos, mais propriedades benéficas são descobertas. Mas na hora do “vamos ver” que estamos no mercado, o que fazer? Chá branco? Chá verde? Chá preto? As opções são muitas. O ideal é começar com o chá verde que possui menos teor de cafeína. Conforme o profissional perceba, o paciente pode evoluir para a suplementação de chá branco, chegando até o chá vermelho em cápsulas.

Pessoalmente não gosto da idéia de que devemos desfrutar do poder de um chá somente quando precisamos da funcionalidade dele (seja ela qual for). Acho interessante por exemplo, para a pessoa magra que tem tendência ao sobrepeso, tomar duas ou três xícaras de chá verde por dia, como já fazem nossos amigos asiáticos.

Espero que o artigo tenha sido de grande valia. E será atualizado à medida que novos estudos estejam ao nosso alcance e lembre-se, às vezes você testar em você mesmo pode ser mais válido que qualquer estudo.

Ney Felipe Fernandes

REFERÊNCIAS

AHMAD N. et al. Green Tea Constituent Epigallocatechin-3-Gallate and Induction of Apoptosis and Cell Cycle Arrest in Human Carcinoma Cells. Journal of the National Cancer Institute, Vol. 89, No. 24. 1997.

BERTOLINI F. et al. Inhibition of angiogenesis and induction of endothelial and tumor cell apoptosis by green tea in animal models of uman high-grade non-Hodgkin´s lymphoma. Leukemia, n.14, p.1477-1482. 2000.

DULLOO A. G. Efficacy of a green tea extract rich in catechin polyphenols and caffeine in increasing 24-h energy expenditure and fat oxidation in humans.The American Journal of Clinical Nutrition, n.70. 1999.

HASSANI S. A.R. et al. In vitro Inhibition Helicobacter pylori urease with non semi-fermented Camellia sinensis. Indian Journal of Medical Microbiology, n. 27, p.30-34. 2009.

KAO Y; HIIPAKKA R.I; LIAO S. Modulation of endocrine systems and food intake by green tea epigallocatechin gallate. The Endocrinology Society, n.3, p. 980-987. 2000.

KOO S.I; NOH S.K. Green Tea as a inhibitor of the intestinal absorption of lipids: potential mechanism for its lipid-lowering effect. Journal of Nutrition and Biochemistry, n.18, p. 179-183. 2007.

LIMA J. D. Chá: aspectos relacionados à qualidade e perspectivas. Ciência Rural, vol 4, n. 39, p. 1270-1278. 2009.

MURAMATSU K; FUKUYU M; HARA Y. Effect of green tea catechins on plasma cholesterol level in cholesterol-fed rats. Journal of Nutrition Science and Vitaminology,n.32. 1986.

SOHLE J. et al. White Tea extract induces lipolytic activity and inhibits adipogenesis in human subcutaneous (pre)-adipocytes. Nutrition & Metabolism, vol 6, n. 20.2009.

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