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Você está preparado para a minha dieta?
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- Categoria: Dietas
- Publicado em Domingo, 05 Junho 2011 16:59
- Escrito por Ney Felipe
Felizmente, o que tem me surpreendido é que muitas pessoas que estão se tratando comigo, antes da primeira consulta, já tiveram um contato com o meu trabalho visitando o meu site. Fico enormemente feliz e os agradeço muito por isso e é especialmente para você que nunca se consultou comigo, que escrevo esse artigo, pois, se você intenciona perder mais que 3 kg acredite: a orgia de carboidratos da sua mesa vai acabar!
“Uma dieta estática pode ser um verdadeiro perigo. A dieta tem que ser uma entidade viva flexível, capaz de se ajustar às suas necessidades, e ao mesmo tempo encontrar o nível de carboidrato ótimo para aumentar a capacidade do organismo de queimar gordura até atingir sua máxima eficiência.”
Dr. Mauro Di Pasquale
Dou início a este artigo com esta frase do Dr. Pasquale, médico canadense, formado também em Ciências Biológicas, com ênfase em Bioquímica Molecular e Genética, especializado em Nutrição e Medicina do Esporte e Mestre em Ciências do Fitness (MFS) pela Associação Internacional de Ciências do Esporte (ISSA). No primeiro contato que tive com seus trabalhos científicos, me identifiquei imediatamente, pois seus trabalhos foram como peças que faltavam de um quebra-cabeças.
Cheguei então à conclusão de que o carboidrato em si não é um vilão. Nem a gordura. Na verdade, somos vilões de nós mesmos, somos responsáveis pela ingestão inadequada de nutrientes que, se torna mais grave ainda quando somos bombardeados por informações de cunho não científico divulgadas por alguns meios incautos de comunicação.
E no final, bem no final, quando tomamos a importante decisão de emagrecer, não sabemos o que fazer. Cortar os carboidratos da dieta, ou cortar a gordura?
Bom, enquanto estiver comigo, nenhum nem outro serão totalmente cortados. Serão ciclados alternadamente. Conforme a frase supracitada, na dieta monótona e estática é que mora o perigo! Perceba que você engorda por causa do hábito. Você está seguindo uma prática alimentar estática igual há meses, talvez há anos. Seus automatismos é que colocaram você nessa encrenca. Você come os mesmos tipos de alimentos há anos e de repente se mete em uma dieta radical, muda todos os seus hábitos e ainda não sabe porque não obteve êxito na dieta. Se vê frustrado ou frustrada e volta novamente ao ciclo de satisfação na mesa versus insatisfação no espelho e roupas.
A Minha Dieta
Quando você vai a um profissional nutricionista, ele tem três variáveis da sua dieta (aqui dieta refere-se a rotina alimentar já praticada- hábitos) para alterar. Primeiro, ele altera o tipo de alimento que você está ingerindo. Depois, ele altera a quantidade desses alimentos e, por último, ele estipula horários para comer. Dessa maneira você deixa o consultório dele com a sua maravilhosa dieta de 1200 a 1600 calorias/ dia.
Você será estimulado (a) a comer de três em três horas, haverão frutas no lanche da manhã, frutas no lanche da tarde. Seu desjejum será uma fatia de pão integral com cream cheese light ou meio mamão papaya com iogurte light e assim vai (você já viu esse filme antes, não é?)
Só que você nunca foi de comer mamão papaya ou melão no café da manhã. Você nunca comeu de três em três horas. Você simplesmente toma café, almoça e janta.
Com horários estipulados, alimentos restritos, quantidades limitadas, você provavelmente em um mês largará mão dessa dieta, a não ser que você esteja prestes a pular do precipício (e olhe lá)! Não que um nutricionista não deva estimular o paciente a comer de três em três horas, ou que meio mamão papaya no meio da manhã seja uma má opção (apesar de que eu acho mais vantajoso uma dose de whey ou um punhado de castanhas).
Não estou dizendo que você deve manter seus hábitos deletérios para o resto da vida e esquecer o que o nutricionista falou. Não mesmo! Eu só acho que nós, nutricionistas, não precisamos entrar em desespero, querer mudar o paciente da água pro vinho no primeiro mês, despejando nele tudo o que a literatura diz que é certo e tirando o que a literatura diz ser errado.
Quem já está sendo acompanhado por mim por mais de dois meses, sabe muito bem (e isso eu explico na primeira consulta) porque uma dieta deve ser mudada a cada dois meses e, dependendo do caso, de mês em mês para driblar os mecanismos homeostáticos do corpo. É por isso que as variáveis: quantidade, tipo de alimento e horário, são mudadas gradativamente. Você nem sentirá!
Quando você lê no meu site "Não precisa fechar a boca. Apenas abra sua mente", é a isso que me refiro. Você não precisa entrar em desespero antes mesmo de começar a dieta, mesmo porque você não passará mais do que 15 dias sem comer seu alimento preferido (na hora que quiser, na quantidade que quiser). Todos temos um grupo de alimentos que preferimos mais, e isso deve ser respeitado pelo profissional. Isso é individual. Isso é sagrado. Isso não está na literatura. Mas quando eu falo "abra a sua mente" é um apelo que eu faço para que você mesmo se observe na hora de comer e veja o quanto tem ingerido açúcar e gorduras desnecessariamente e, principalmente, utilizado o ato de se alimentar com qualquer objetivo. Menos o de se nutrir.
O meu tratamento, se seguido à risca em casa e comparecendo regularmente aos nosso encontros, não só promoverá a perda de peso que você busca, mas também um novo jeito de olhar para os alimentos. O meu acompanhamento dietoterápico possui início, meio e fim. E essas fases, resumidamente, são:
Fase 1: Fase de Reprogramação Metabólica (manipulação da ingestão de carboidratos);
Fase 2: Fase de Reinserção Gradual de Carboidratos (achar o limiar ótimo de ingestão de carboidratos);
Fase 3: Fase de Manutenção do Emagrecimento (aqui é a parte que eu cito Lao Tse “Não procure dar o peixe. Ensine-o a pescar”).
A chave para o sucesso é a manipulação meticulosa da ingestão de carboidratos da dieta, que começa com uma gramagem x para o seu peso atual e termina praticamente com a mesma gramagem que você estava ingerindo antes de começar a dieta. Acredite! Eu costumo dizer que emagrecer é fácil. Você não precisa nem pagar um nutricionista. Você pode tomar algum remédio ou comprar uma revista dessas de dieta e seguir o que eles mandam. É arriscado. Mas você emagrece. Mas e depois que emagrecer, você sabe o que fazer? Você sabe quais alimentos te engordaram em uma vida inteira? Provavelmente não.
Vou te dizer uma coisa, que o nosso prezado Dr. Robert Atkins disse em 1972: o que está nos engordando são os carboidratos! O Brasil é um exemplo disso. O que é barato no Brasil? Arroz, batata, pão. O que é mais barato, o quilo da linhaça ou o quilo do açúcar? O quilo da farinha ou da farinha integral? É por isso que temos uma geração de pessoas com sobrepeso porém, extremamente desnutridas. E é por isso que, os indices de epiodemiologia são claros ao notar que a população de baixa renda está ficando obesa.
Atkins estava certo! A única diferença é que na época que ele começou a disseminar essa informações não haviam tantos estudos assim no meio científico comprovando os benefícios (seja estéticos ou hormonais) de dietas hipoglicídicas (baixas em carboidratos).
O primeiro impacto que a minha dieta tem é em um hormônio conhecido como insulina.Os efeitos subsequentes são praticamentes consequencia da diminuição de microdescarca insulinêmica.A insulina é secretada pelo pâncreas e funciona como um caminhãozinho de carga. Ela carrega a glicose do sangue e entrega na “porta” das células receptivas (GARRETT e KIRKENDALL, 2003). Entretanto a insulina também faz lipogênse (PASQUALE, 2006), que é o mesmo que síntese de tecido adiposo. Uma dieta baixa em carboidratos, naturalmente promove redução dos picos de insulina (LAYMAN et al, 2003), aumento da saciedade (HOLT, 1999), entre outros aspectos que podem ser observados apenas quando você começar uma.
Mas não precisamos de carboidratos?
Eu acho, sinceramente, que o próprio racícionio lógico de quem entende o mínimo de nutrição e fisiologia já poderia ser o suficiente para se rever conceitos de dietoterapia e distribuição de VET (volume energético total = calorias totais).
Já nos primeiros períodos acadêmicos (seja do curso de medicina, nutrição, educação física), quando você pega livros clássicos das áreas científicas acima citadas, como um Krause ou Guyton, que são verdadeiras bíblias, você aprende que existem nutrientes essenciais e nutrientes não essenciais.
Nutrientes essenciais são aqueles que você precisa ingerir para que seu corpo os tenha presente internamente. São nutrientes que devem estar presentes na dieta pois seu corpo não sabe sintetizá-los de maneira autônoma. Nutrientes não-essenciais são aqueles que você ingerindo ou não seu corpo, indiferentemente, vai sintetizar.
Para você que estuda na área da saúde a ficha já deve ter caído não é? Você já sabe aonde eu quero chegar!
Pois bem, está comprovado que existem aminoácidos essenciais (aminoácidos são os menores componentes das proteínas – encontradas nos ovos, leite, carne, soja, etc). Esses aminoácidos, como a leucina, isoleucina, valina, dentre outros, devem ser balanceados na dieta e você deve ingeri-los.
Dessa mesma forma, existe ácidos graxos (gorduras) essenciais. Ou você nunca ouviu falar do famoso ômega-3, ômega-6? Estes precisam ser ingeridos para que o corpo os tenha acesso. Por isso que hoje, através de dietas como a do “mediterrâneo” é moda a ingestão de peixes, azeite de oliva, amêndoas, etc.
Entretanto, você nunca vai ouvir alguém falar em “carboidratos essenciais”. Simplesmente porque eles não existem! Você pode tentar argumentar comigo que o cérebro só usa glicose como substrato energético e que nosso corpo precisa de açúcar. E você está certo! Mas isso não significa que precisamos ingerir açúcar. O corpo tem suas maneiras hábeis de produzir açúcar, e, no campo do emagrecimento, o objetivo principal é esse: fazer o corpo atender a demanda da glicose através da conversão da gordura em glicose (através da formação de corpos cetônicos).
Então posso ficar sem carboidrato para todo o sempre?
Pode, mas não é necessario. Os esquimós fazem desse tipo de dieta a sua sobrevivência. Mas eles são eles. Nós somos nós. Por mais que tenham a mesma constituição anatomo-fisiológica que nós, vivemos em um outro contexto. Acho deletério também você consumir muita carne. Confio no equilíbrio e correta distribuição dos alimentos e nutrientes. Gostaria de finalizar destacando mais uma vez que a dieta baixa em carboidratos é apenas uma etapa do planejamento que eu tenho para você e não o tratamento inteiro.
Ney Felipe Fernandes
REFERÊNCIAS
LAYMAN et al.A Reduced Ratio of Dietary Carbohydrate to Protein Improves Body Composition and Blood Lipid Profiles during Weight Loss in Adult Women. American Society for Nutrition Sciences. 2003.
HOLT. S.H.A. The effects of high-carbohydrate vs high-fat breakfasts on feelings of fullness and alertness, and subsequent food intake. International Journal of Food Sciences and Nutrition,v. 50, n. 1, p.13-28. 1999.
PASQUALE M.G.D. A Solução anabólica para fisiculturistas-Dieta metabólica definitiva. São Paulo. 2006. Editora Phorte.
GARRETT W. E; KIRKENDALL D. T. A ciência do exercício e dos esportes. São Paulo. 2003. Editora Artmed.
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